Quem sustenta a sustentabilidade?

Desde o último dia 25, o paulistano tem passado por um novo aprendizado: fazer compras sem as tão polêmicas sacolinhas plásticas que, até aquela data, eram distribuídas gratuitamente. Devido à lei que passou a vigorar no aniversário da cidade, a distribuição de sacolinhas está proibida e, de agora em diante, o consumidor tem que achar outras formas de transportar os produtos do supermercado até a dispensa.

A medida, em discussão há muito tempo, segue uma tendência mundial de reduzir a produção dessas sacolinhas com a finalidade de ajudar o meio ambiente. Em média, o consumidor brasileiro recebia 66 sacolinhas por mês – a maioria delas, segundo pesquisas, eram reutilizadas, principalmente como sacos de lixo. Fato é que, independente da reutilização ou não, a maioria das sacolinhas acabava em lixões ou aterros sanitários e, por muitas vezes, até em barrigas de baleias. E olha que elas vivem lá no oceano!

A lei que impõe a proibição também permite que sacolas oxibiodegradáveis, que se decompõem mais rapidamente na natureza (três anos, em média, contra mais de 100 anos das sacolas comuns), sejam comercializadas por R$0,19. O consumidor também tem a opção de comprar sacolas retornáveis (com preço definido livremente pelos estabelecimentos), consideradas mais bonitas e a mais provável solução para as donas de casa.

Aliás, quem não gostou nem um pouco dessa nova lei foram as donas de casa, que como previa o governo, aos poucos estão se acostumando com a novidade, porém com certa resistência: “Acho injusto ter que pagar para ter essas sacolas. Não é uma responsabilidade nossa. É um absurdo”, afirma Lucinete de Souza, ao repórter do portal Terra. A reclamação da doméstica ecoa em todas as filas de supermercado pela cidade: tudo bem banir as sacolinhas, mas por que tudo tem que sair do bolso dos consumidores?

Reclamações com o mesmo teor são ouvidas – e lidas – por todos os lados. No Facebook, protestos contra a proibição foram postados por milhares de pessoas, alegando que a economia (e o lucro) dos supermercados com a nova lei não seria repassado aos consumidores, que desde os anos 50 foram acostumados pelos próprios comércios a utilizar as sacolinhas. Na época, distribuir as sacolinhas era motivo de orgulho para as redes.

Três dias após a proibição em São Paulo, o Governador do Paraná, Beto Richa, vetou uma lei semelhante no seu estado. Segundo o governador, “o projeto de lei gera no imaginário das pessoas a falsa ideia de que as novas embalagens poderiam ser descartadas sem qualquer dano ao meio ambiente, o que não é verdade. Essas embalagens, supostamente biodegradáveis, são plásticos oxidegradáveis ou fragmentáveis, que recebem aditivos químicos para acelerar o processo de degradação”, diz ele, em trecho do veto, que deixa claro que a discussão sobre o assunto ainda não acabou.

Outros defensores do movimento sustentável, ultimamente, são os bancos, que cada vez mais estão incentivando seus clientes a abolir o uso do papel, utilizando apenas meios eletrônicos para movimentar e se manter atualizados sobre sua conta bancária. Em contrapartida, os clientes reclamam que as tarifas cobradas de suas contas continuam as mesmas, com ou sem papel.

A pergunta que martela na cabeça do consumidor é a mesma: ele está sendo legitimamente incentivado a ter um comportamento mais sustentável? Algo me diz que, no final das contas, vai se dar bem quem deixar o marketing sustentável de lado e recorrer ao bom e velho respeito ao cliente.

Gabriel Justo

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