Vida profissional, família e onde está você?

marcelo-ponzoni-artigo

Esta quem sabe é a mais importante de todas as tríades que está sob nossas vidas. As análises e debates sobre este assunto voam, por todos os corredores, quartos e, principalmente, pelas mentes, que silenciosamente investem horas e horas atrás da solução perfeita deste enigma que acompanha o ser humano, acredito eu, há séculos.

Quem nunca se deparou com a avaliação do equilíbrio entre estas frações. Friamente dividimos o dia em três partes de 8 horas, trabalho, família e eu (lazer ou descanso), e na teoria define-se com um lindo conceito, mas na prática as coisas não acontecem bem assim, pois em muitas de nossas horas os conflitos se encontram no campo da mente, da imaginação, das preocupações e, principalmente, dos interesses diretos.

Por questões óbvias trabalhamos, num primeiro momento, pela sobrevivência e, posteriormente, pelas buscas, entre elas a família e o eu. Com o passar do tempo e com as conquistas mais estabelecidas, mantemos o trabalho como fonte de energia para mantermos as conquistas, bem como a família, e essas duas ocupações acabam por tomar grande espaço do eu que sempre cede diante dessas duas frentes, até o dia em que este espaço se reduza à pequenez, onde um alerta se acende, momento em que paramos e repensamos, surgem as comuns perguntas: quem sou, onde estou e para onde vou, com quem e para que.

Pronto, esta bateria de perguntas faz com que avaliemos a concessão que nós mesmos demos às outras duas partes. É fácil concluir que a cada momento, por motivo lógico de foco, deixamos de lado o eu em favor da busca pela energia e pelos amores de nossas vidas, mas invariavelmente um dia a conta chega e a cobrança nos encosta no canto da existência com reivindicação de espaço doado nos corredores da vida.

Este encontro com nossas verdades normalmente se dão numa fase de meia-idade, onde mostra-se de maneira veemente a chegada do final de um ciclo. De longe não é o fim do mundo, muito menos de nossas vidas, as quais foram conduzidas única e exclusivamente por nossa livre e espontânea decisão e escolha. O que fazer? Primeiramente, muita calma!

Como disse é somente mais uma fase como tantas outras que já vivenciamos e passaram por nossas vidas. A grande diferença está na nitidez dos fatos dentro de nossa cabeça. A experiência acumulada possibilita em nossas mentes combinar milhares de fatos novos a esta fase. No passado, foi muito simples definir escolhas, pois não envolviam diretamente sentimentos: era abaixar a cabeça e lutar com objetivo certo e compartilhado. A cobrança do EU é solitária, entra em conflitos do ego x ética x traição dos ideias x tempo x diversas variáveis que antes não se mostravam com clareza em nossas mentes.

Fisicamente seria uma pizza onde para cada uma das partes obtivesse 33,33% , e lentamente, via concessões pessoais e interesses, uma ou duas partes vão ganhando espaço da outra, 40/40/20 ou 60/30/10 ou 45/45/10 até chegar no 73/26/1 ou pior 73,4/26,4/0,2. Adivinhe nesta pior situação quem ficou com 0,2%: sim o eu, aquele que aparentemente sempre pode ceder em função das outras duas partes, até o dia do BIG BANG.

Será que você, leitor, se identificou com esta história? Caso sim, aí está um humilde relato do que possa ser um cenário real a ser avaliado sem muita terapia ou horas de sono perdido.

E agora?

 

Chegou a hora de retomar a parte devida ao EU? Mas como conseguirei o meu espaço, terei de negociar com as partes? Qual será menos prejudicada? Qual tem mais valor na minha cadeia de interesses?

A grande e máxima verdade é que só existe um único responsável por estas situações: nós mesmos. E, sendo assim, só existe alguém que possa iniciar e projetar um plano de ação para retomada do equilíbrio. É muito importante entender que isto não será resolvido imediatamente, pois foram anos e anos para que as outras partes encostassem o eu.

Novamente conclamo a calma, e diante do entendimento, passamos a utilizá-la a nosso favor. Com ela, a calma, vamos afagando nosso espírito, compreendendo os acontecimentos e com esta ciência as coisas tendem a inclinar-se ao objetivo. Lembre-se também de que o retorno a 3% ou 5% já será muito relevante, pois provavelmente nos últimos anos você viveu na casa do decimal, variando entre o 0,2 ao 0,9.

Calma, tudo irá dar certo, pois graças a Deus temos a virtude do livre arbítrio, sendo assim fica prática a decisão de agir em prol do nosso tão querido e almejado equilíbrio.

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